Minuto Pastoral | Festa do Batismo do Senhor (11/01/25)

Reflexão do Evangelho
Festa do Batismo do Senhor
Estimados irmãos e irmãs,
Celebramos hoje o Batismo do Senhor, festa que encerra o tempo do Natal e nos conduz ao início da vida pública de Jesus. Às margens do Jordão, aquele que não tinha pecado se coloca na fila dos pecadores. Jesus não entra nas águas para ser purificado, mas para purificar as águas e, nelas, toda a humanidade. É um gesto de profunda humildade e de total obediência ao projeto do Pai.
A primeira leitura do profeta Isaías apresenta a figura do Servo do Senhor: escolhido, amado, sustentado por Deus, enviado para instaurar a justiça, mas não pela força nem pelo grito, e sim pela mansidão. “Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a chama que ainda fumega.” Este Servo é luz para as nações, libertador dos que vivem nas trevas. No Batismo de Jesus, esta profecia se cumpre plenamente. O Filho amado manifesta-se como o Servo que veio para servir, curar, levantar e devolver dignidade aos feridos da vida.
O salmo proclama a voz do Senhor que ressoa sobre as águas, voz poderosa e majestosa. Essa voz que, na criação, separou o caos e gerou a vida, agora se faz ouvir novamente no Jordão: “Este é o meu Filho amado, em quem eu ponho o meu agrado.” O Pai revela quem é Jesus e confirma sua missão. Não é uma voz distante, mas uma palavra que comunica força, paz e bênção ao seu povo.
Na segunda leitura, dos Atos dos Apóstolos, Pedro testemunha que Deus não faz acepção de pessoas e recorda o início da missão de Jesus: depois do batismo pregado por João, Jesus foi ungido pelo Espírito Santo e passou fazendo o bem, curando e libertando todos os que estavam oprimidos. O Batismo é, portanto, o ponto de partida da missão. Jesus sai das águas ungido pelo Espírito para anunciar o Reino e transformar a realidade humana com amor e misericórdia.
O Evangelho nos apresenta a cena central desta festa. João Batista reluta em batizar Jesus, reconhecendo sua grandeza, mas Jesus insiste: é preciso cumprir toda a justiça, ou seja, realizar plenamente a vontade do Pai. Ao sair da água, os céus se abrem, o Espírito desce como pomba e a voz do Pai se faz ouvir. É uma verdadeira manifestação da Santíssima Trindade: o Filho nas águas, o Espírito que desce e o Pai que fala. Deus se revela como comunhão de amor e nos convida a participar dessa mesma comunhão.
Esta festa nos convida a olhar também para o nosso próprio batismo. Assim como Jesus, nós fomos mergulhados na água e no Espírito. No dia do nosso batismo, também fomos chamados de filhos e filhas amados de Deus. Recebemos uma identidade e uma missão: viver como luz, promover a justiça, fazer o bem, ser sinais do amor de Deus no mundo.
Renovar a graça do batismo é assumir, com coragem e humildade, o compromisso de seguir Jesus no caminho do serviço, da misericórdia e da fidelidade ao Pai. Que, fortalecidos pelo Espírito Santo, possamos ouvir hoje a mesma voz que ecoou no Jordão e deixar que ela conduza nossa vida: somos amados por Deus e enviados para transformar o mundo segundo o seu coração.
+ Dom Cláudio Hummes
Reitor da Basílica Menor Nossa Senhora da Conceição
Reitor da Basílica Menor Nossa Senhora da Conceição
Arquidiocese do Rio de Janeiro